carta aos lugares
há veredas mais brilhantes a se tomar pela vida; isso aqui, com o montante de desprezo que direciono para o que há em minha volta ofuscado pelas minhas linhas de pensamento, não pode ser tudo. não há como arquitetar uma fuga para fora da minha mente, então só sobra a fuga para fora do que é o aqui. as flores que antes despertavam minha paixão agora são prenúncios de uma repetição que dura meses, anos. mas elas não podem ser isso. não é justo. eu estou a vê-las assim, mas lembre-se: há caminhos menos angustiantes para a existência, e eles até podem se livrar das contradições de suas condições absurdas; então toda essa carta surgida de uma menção honrosa à esperança provinda do tédio não será apenas isso, ela é um testamento para o que aquela do futuro virá a fazer e para ser uma resposta a ela mesma sobre o que ela mesma estará fazendo. tentando. com esses fios a apertar e a atestar com força a permanência e a calma, estarei tentando, indo sem ir, pois sei para onde não vou.