ventania
Pela escura noite premeditada, o restolhar prossegue. Enquanto há luz, vermelha luz, o sangue é lembrado e pelo corpo ele faz sua travessia. A tarde dá seu adeus ao deus da inquietude, e o mundo dorme,– ele já está muito cansado, afinal não há extinguir para o pensar em um mundo de tamanha proporção. Em um silêncio sem vozes humanas, pode-se em fim chorar sem falsidades. Em colinas inóspitas não há vivalma que não lamente o peso de sua alma em vida. Tão silencioso é o coro que o vento carrega apenas a essência rica e feliz da terra e das plantas. A ventania que varre o bosque entre os morros não imagina o tornado que o caos instaura lá em cima, onde há tão poucas casinhas espalhadas. Tornado de silêncio. O grito é tão alto que não se pode ouvir. Ele entrou para dentro, teve força o suficiente para isso, e o fez; se apossou do corpo. É o vento. O céu vestido em seu traje de fogo veronil, sem necessidade e abafante, lança sobre os corações sentimentos ardentes. Uma vez sentidos, se está...