Janeiro, de novo. Depois do novo, vem o medo.
Ele mesmo, o janeiro. Quase no seu fim encontro o começo. O começo de um novo sentimento, sobre ele, o janeiro. Já te elogiei e elegi o melhor dos meses. Frivolidade? sim, é claro. Mas diga-me o que não o é, nesse mundo de planaltos, nesse mar montanhoso. Engole-me os presságios do próximo, sim, aquele lá. Ele está se esgueirando pelas esquinas. Vejo seus olhos espreitando na escuridão. Pensa que não o vejo, mas como não poderia? o mundo é meu, crio ele a todo momento, atualizo-o! Forma e ato, aquela velha conversa filosófica... Pois é, então como um detalhe que se transferiu da minha inconsciência em direção à consciência poderia me escapar tão fácil? Não, é assim que as coisas funcionam. Lá está ele, o medo do próximo, do desconhecido próximo. Queria viver no eterno presente desse dia? Claro, mas, novamente, não é assim que funcionam as coisas nesse tal de Janeiro. Sempre ele acaba, e dá início ao próximo mês, o fevereiro. Não, não é dele que tenho esse medo.
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