Paisar pelo momento
No momento
oportuno, eu não possuía mais olhos, estavam derretidos caindo pelo rosto em
tons de vermelho carmesim e, para o meu mundo, o azul retornou ao prata. Cai,
mas sobre mim havia o cosmos. Soube que era ele quando meus ouvidos se tornaram
fontes eternas da mais pura compreensão.
Os sentidos obedeciam a balança que despendia todos
os corpos celestes. No tato a balança estava suspensa enquanto na mente
dançávamos a sua existência.
Dançávamos, pois o ego já não existia mais, os
falsos olhos tinham derretido com as lágrimas da mais perpetua mentira.
Agora cegos, aprendemos a enxergar.
Caímos no buraco da vida, onde a água transborda das
inconstância.
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